A neurose por manter a jovialidade ou a beleza e o medo de envelhecer fazem com que muitas mulheres recorram à reposição hormonal. Há também o fator da saúde que, claro, deve vir sempre em primeiro lugar. Mas, é preciso entender quando realmente está na hora de procurar um tratamento.

O grande problema da questão e o motivo pelo qual a terapia ainda é considerada uma polêmica se dá ao fato de que na década de 90, um estudo americano chamado WHI- Women’s Health Initiative realizou, por pouco mais de cinco anos, uma experiência com mais de 16 mil mulheres. Elas foram divididas em dois grupos. No primeiro, receberam reposição com estrógeno e progesterona e no segundo um medicamento inativo, feito justamente para se observar o resultado.

O tratamento teve de ser interrompido porque os riscos da reposição foram maiores do que os benefícios. Houve aumento de ataques cardíacos, derrames cerebrais, embolias pulmonares, câncer de mama, entre outras coisas. Por isso que hoje você escuta falar sobre o quanto é delicado esse assunto.

Lembre-se que cada caso é um caso e que a medicina é complexa: para algumas o resultado pode ser brilhante, para outras nem tanto. E para você saber um pouquinho mais sobre o assunto, leia a opinião da endocrinologista especialista em reposição hormonal Dra. Dolores Pardini:

1) Para que serve a reposição hormonal?

Para repor os hormônios, principalmente o estrógeno, que deixam de ser fabricados quando a mulher entra na menopausa.

2) Qual é o momento exato de dar início ao tratamento (idade, ou outro fator)?

Quando fica estabelecido que os ovários já entraram em falência. Para isso, o diagnóstico é feito através dos sintomas e exames laboratoriais.

3) Quais são os benefícios da reposição hormonal?

Alívio dos sintomas vasomotores (calores, fogachos), prevenção da osteoporose, prevenção e tratamento da incontinência urinária, dores na relação sexual decorrente da atrofia vaginal, proteção cardiovascular, entre outros.

4) Quais são os eventuais prejuízos?

Devem ser analisados individualmente. Atualmente são tantas as opções quanto ao tipo de hormônio, doses e vias de administração que muitas são as beneficiadas. É preciso avaliar cada caso particularmente. O grande receio por parte das pacientes, muitas vezes infundados, refere-se ao câncer de mama e aos fenômenos tromboembólicos.

5) Toda mulher precisa de reposição hormonal?

Não. Precisa ter indicação.

6) Quais são as últimas novidades nessa área? E para que servem exatamente?

Existe o grupo alvo para tratamento no qual os benefícios superam os riscos, é chamada a janela de oportunidade, refere-se ao período chamado de Per menopausa. Compreende os primeiros quatro anos após a parada da menstruação, período ideal para iniciarmos a reposição. Portanto, é importante sempre procurar bons especialistas e se manter informada.

Por: Natália Marques.