Dismorfofobia: um transtorno mais do que comum.

Quando uma pessoa se torna refém do espelho porque é preocupada exageradamente com a sua aparência pode haver algo de errado: a dismorfofobia. Muita gente nunca ouviu falar, mas o transtorno pertence à classificação psiquiátrica americana DSM Diagnostic Statistic Manial of Mental Disorders e é mais comum do que se imagina.

Todo mundo conhece alguma amiga ou conhecida que adore frequentar clínicas de estéticas, consultórios de dermatologia, nutricionistas e claro, cirurgiões plásticos. Mas, atenção! É preciso saber quando isso ultrapassa a vaidade e vira uma doença. Ele pode ser a raiz de problemas como anorexia e bulimia.

De acordo com o psicólogo professor doutor na área da estética Walter Poltronieri essas mulheres super estetas se prendem a pequenos detalhes da estética: “São pessoas que querem mexer na pontinha do nariz, por exemplo. Mas, pode ser também no corpo inteiro ou num lugar específico. A gente nunca sabe qual vai ser a parte do corpo que ela vai eleger”.

Para diagnosticar um caso, um psicólogo ou até o cirurgião plástico num primeiro momento deve perceber traços obsessivos, “É como se uma lâmpada se ascendesse, é necessário distinguir quando uma pessoa quer viver bem consigo ou muito, muito bem. Há uma enorme diferença aí”, explica Poltronieri.

Muitas vezes, o motivo dessa neurose com uma parte do corpo pode ser consequência da atenção indesejada. Ou seja, quando uma pessoa aparece muito por alguma forma de seu corpo. Nariz grande e orelha de abano são mais comuns, mas às vezes pode acontecer em qualquer parte do corpo. O meio ambiente também influencia muito esse comportamento, principalmente fatores econômicos e culturais. “O fato de o Brasil ser um país tropical, andamos com o corpo à mostra, por isso a preocupação aqui é muito grande, maior do que em vários países da Europa”, exemplifica o psicólogo.

Em geral, essas pessoas não aceitam que são assim, querem resolver o problema rapidamente, ou seja, se o problema é gordura, não estão dispostas a fazer regime e nem ginástica. Decidem por fazer uma cirurgia em que aparentemente o resultado é bem mais veloz. Segundo Poltronieri, familiares e amigos são quem encaminham e ajudam a acompanhar para tentar descobrir o motivo pelo qual a pessoa criou esse problema nela mesmo e a partir daí iniciar um tratamento.

Como já dizia Clarice Lispector… “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nossa personalidade”.

Por: Natália Marques