Quando os filhos começam a crescer a preocupação dos pais também acompanham o ritmo do desenvolvimento, já que a presença de novos amigos que podem oferecer riscos, como as drogas, é comum nos dias de hoje.
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Ligarmos a televisão e nos depararmos com notícias sobre jovens envolvidos com drogas por terem experimentado uma única vez e depois não ter conseguido colocar um ponto final no consumo é normal e uma situação preocupante, afinal, a educação dada em casa pode ser colocada na mira de más companhias em uma ida à escola ou em um passeio com os amigos.
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Mas a partir de quando devemos falar sobre drogas com os filhos? Como podemos colocar assuntos tão delicados em um bate-papo entre pais e filhos?
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E é sobre isso que o Nós Mulheres foi buscar com a psicóloga Diana Huh, para quebrar tabus e auxiliar na educação dos jovens. Confira:
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Nós Mulheres – Como falar com os filhos sobre drogas?

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Dra. Diana – Os pais sempre devem estimular o dialogo aberto e franco com os filhos desde a infância para que sua comunicação seja satisfatória, elucidando a criança e o adolescente em suas questões e curiosidades.
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Para iniciar uma conversa com os filhos sobre esse tema é necessário que os pais ou responsáveis tenham informações precisas sobre as drogas, seus efeitos e consequências do uso abusivo.
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Ao obter informações é possível informar e esclarecer os filhos de forma coesa sem fazer o uso da ameaça ao filho, ou pelo dialogo do medo, e sim, esclarecendo e conversando abertamente sobre o tema. As informações esclarecedoras são mais eficazes do que a ameaça e mitos que envolvem as drogas.

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Nós Mulheres – Quando a criança pergunta sobre drogas, o que fazer?
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Dra. Diana – O indivíduo em processo de formação apresenta curiosidades que precisam e devem ser sanadas pelos pais e responsáveis em qualquer faixa etária, evitando que tais informações sejam passadas de forma distorcida.

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Quando a criança perguntar sobre as drogas, o importante é esclarecer e conversar abertamente com seu filho, caso não tenha informações precisas sobre o tema, informe-se em pesquisas e através de profissionais da área para que possam passar a informação correta.
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Nós Mulheres – Alguns amigos do adolescente são usuários, como reagir?
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Dra. Diana – A criança e o adolescente aprendem como lidar com a vida a partir de modelos que observa em sua casa, solidificando a educação e seu desenvolvimento futuro.
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A educação, a comunicação aberta e bons modelos familiares ajudam na construção da subjetividade de cada indivíduo, fazendo com que ele tenha discernimento sobre suas atitudes.
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Não adianta conversar com o filho, esclarecendo sobre as drogas, se os mesmos apresentam comportamentos em casa, que possam de alguma forma contradizer o que tentam ensinar.
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Na adolescência é importante observar e acompanhar o comportamento dos filhos respeitando também a individualidade e a necessidade de descoberta que a própria fase apresenta, se o filho tem algum amigo que faça uso da droga os pais devem aproximar-se do filho e ter um dialogo aberto, sem criticas ou a necessidade de proibi-lo.
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O importante é conversar com o filho, ter uma boa relação e aproximação com o ciclo social do adolescente, para que o mesmo se sinta a vontade para conversar com os pais e tomar a melhor decisão.

Nós Mulheres – Qual é a idade ideal para os pais conversarem sobre drogas com os filhos?
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Dra. Diana – Não existe uma idade ideal para iniciar uma conversa com os filhos sobre as drogas, entretanto, é importante ressaltar que a fase da adolescência causa diversas transformações tanto psíquicas quanto físicas no adolescente, que tem por necessidade em algum momento, de buscar formas de encontrar o prazer e de se conhecer.

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Nesse momento, é importante que o adolescente tenha conscientemente as informações sobre as drogas e suas consequências de forma preventiva, uma vez que o uso e o abuso das drogas podem causar consequências perturbadoras psiquicamente, fisicamente e na vida social do individuo.
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A conversa sobre as drogas deve existir a partir do momento em que a criança ou o adolescente tenha curiosidade e indague os pais, tanto quando tiverem consciência e frente a qualquer estimulo social.

Nós Mulheres – Como saber se o filho usa droga?

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Dra. Diana – O diálogo entre os pais e filhos é extremamente importante em todas as fases do desenvolvimento do individuo, como forma de prevenção para as drogas e qualquer outro obstáculo e dificuldade que possa apresentar.
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É imprescindível que os pais observem o comportamento do filho e acompanhem seu desenvolvimento esclarecendo as curiosidades e as questões que vão surgindo em cada fase do desenvolvimento. A partir de uma boa relação com os filhos é possível observar as mudanças que os mesmos vão apresentando quando algo não vai bem.
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Para saber se o filho está em contato com as drogas, é necessário a observação nas mudanças de comportamentos (cuidado para não achar que qualquer mudança seja causada pelo uso das drogas, cada fase do desenvolvimento, como na adolescência alteram o comportamento do individuo!), maior irritabilidade sem causa aparente, isolamento da família e, em algumas situações isolamento dos amigos, dificuldades na escola levando o abandono da vida escolar, comportamento agressivo e violento, mudança de hábitos (higiene, sono), e a ausência de objetos frequentes em casa e o pedido constante por quantias maiores de dinheiro.
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Nós Mulheres – Como tratar um adolescente usuário de drogas, existe algum tipo de procedimento?
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Dra. Diana – O uso abusivo das drogas causam consequências drásticas na condição física, psíquica e social do individuo. No entanto, é possível cessar os danos e procurar a ajuda correta, como a intervenção de uma equipe multidisciplinar e especializada, como o psicólogo e o psiquiatra.
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A partir da descoberta os pais devem propor um dialogo franco com o filho e procurar ajuda profissional para obterem orientação e realizar a melhor intervenção possível com o adolescente.
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Em São Paulo, existem alguns serviços especializados em dependência química, que podem orientar e propor o melhor tratamento. Procure um profissional especializado para que seja possível o melhor método de tratamento e orientação.
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Fonte: Psicóloga Diana Huh – CRP: 06/103010
Por: Jornalismo Nós Mulheres.